
Velocidade, Calor e Superação: tudo o que aconteceu na 5ª Etapa do MX1 GP Brasil Sportbay 2026 em Palmas
A metade da temporada e o desafio climático no Parque Sussuapara
Palmas não decepciona. A capital do Tocantins voltou a provar por que merece figurar no calendário do motocross nacional ao receber, nos dias 6 e 7 de junho de 2026, a 5ª etapa do MX1 GP Brasil Sportbay. O palco foi o Parque Sussuapara, com um circuito exigente que combinou terreno duro de Cerrado, canaletas fundas e aquele calor seco que a Região Norte oferece de graça — e que testou tanto o condicionamento dos atletas quanto a criatividade dos mecânicos na hora de calibrar suspensões e escolher pneus. As arquibancadas lotadas mostraram que o público de Palmas entende do assunto e foi lá para ver de perto.
Com exatamente metade do Campeonato Brasileiro de Motocross 2026 encerrada, a etapa ganhou ainda mais peso estratégico. Equipes que ainda buscam ritmo precisavam de pontos agora; líderes precisavam segurar o que conquistaram. E o fim de semana não poupou ninguém. Além das baterias regulares, o calendário incluiu corridas de reposição da etapa de Castro, no Paraná, que havia sido cancelada por fortes temporais — o que dobrou a carga para categorias como MX5 e MXF, cujos pilotos precisaram largar duas vezes sob condições térmicas próximas do limite. Do desfile de abertura pelas ruas da cidade à bandeirada final da Superfinal de domingo, Palmas entregou um fim de semana completo.

MX1
Quem esperava ver Enzo Lopes rumo a uma quinta vitória consecutiva na temporada tinha boas razões para acreditar nisso. O líder do campeonato chegou a Palmas com a placa vermelha no peito, registrou o melhor tempo nos treinos e dominou a primeira bateria com a tranquilidade de quem está no controle. Mas Glenn Coldenhoff não veio para passear.
O holandês respondeu na segunda corrida com uma pilotagem agressiva e cirúrgica, assumiu a liderança e segurou todas as tentativas de Lopes de repassá-lo. Com os dois chegando ao final do dia empatados em 47 pontos, o regulamento do MX1 GP Brasil quebrou o empate em favor de quem venceu a última bateria — e aí a balança inclinou para Coldenhoff. Fábio Santos completou o pódio com duas corridas sólidas, mantendo a Yamaha bem posicionada na briga pelo título.
Classificação:
1º Glenn Coldenhoff;
2º Enzo Lopes;
3º Fábio Santos.

MX2
Benjamin Garib reencontrou a melhor versão de si mesmo em Palmas. O chileno foi o mais rápido nos treinos e não deu margem para surpresas: venceu as duas baterias do dia com vantagem folgada, numa exibição que lembrou por que ele é um dos nomes mais perigosos da temporada. Salvador Pérez, que lidera o campeonato, correu de forma inteligente — gerenciou riscos, ficou em segundo em ambas as corridas e manteve sua liderança sem precisar forçar. O pódio foi fechado por Trevin Nelson, que usou a regularidade e o preparo físico para superar Henrique Henicka e Pietro Piroli no somatório final.
Classificação:
1º Benjamin Garib;
2º Salvador Pérez;
3º Trevin Nelson.

MX2JR
Cesar Aponte fez o dever de casa na MX2 Júnior. O venezuelano aproveitou uma largada impecável, administrou a ponta com maturidade e saiu de Palmas com a vitória e uma vantagem ampliada na classificação geral. Logo atrás, a Belco Racing teve razões de sobra para comemorar: José Carlos Morera e Gabriel Cirino garantiram a dobradinha nas posições seguintes, numa tarde muito bem aproveitada pela equipe.
Classificação:
1º Cesar Aponte;
2º José Carlos Morera;
3º Gabriel Cirino.

MXJR
A MX Júnior foi, provavelmente, a corrida mais emocionante do domingo. Lorenzo Ricken saiu na frente, assumiu o holeshot e foi liderando enquanto Zion Berchtold pressionava de perto, volta a volta, sem dar folga. Nas voltas finais, com a pressão no limite, Ricken sofreu uma queda — e Berchtold não precisou de mais do que isso. Assumiu a ponta, cruzou a linha em primeiro e somou sua primeira vitória do ano. Mais do que a vitória, ele saiu de Palmas com a liderança do campeonato. Ricken, por sua vez, mostrou caráter: voltou à moto e salvou o segundo lugar. Heitor Matos completou o pódio.
Classificação:
1º Zion Berchtold;
2º Lorenzo Ricken;
3º Heitor Matos.

MX3
Na MX3, Caio Lopes Fernandes não deixou conversa. O piloto completou as 12 voltas num ritmo que ninguém no pelotão conseguiu acompanhar, cruzando a linha com mais de 32 segundos de vantagem — uma margem que diz tudo sobre o nível da sua tarde. A volta mais rápida também foi dele: 1min50s121. Anderson Pereira do Amaral correu bem para assegurar o segundo lugar isolado, e Diego Fernando Henning fechou o pódio a pouco mais de 8 segundos do vice-líder.
Classificação:
1º Caio Lopes Fernandes;
2º Anderson Pereira do Amaral;
3º Diego Fernando Henning.

MX5
Canaletas fundas, buracos espalhados pela pista e calor de rachar — a MX5 tinha tudo para ser uma loteria. Não foi. Willian Guimarães impôs sua técnica apurada de multicampeão e venceu de ponta a ponta, cruzando com 23 segundos de vantagem sobre Rodrigo Guedes Peguinelli. José Israel fechou o pódio após uma disputa acirrada com Geraldo Almeida, num duelo que exigiu o máximo de concentração nas condições extremas do domingo tocantinense.
Classificação:
1º Willian Guimarães;
2º Rodrigo Guedes Peguinelli;
3º José Israel.

YZ125 Geral
Na bateria unificada das duas tempos, Lorenzo Ricken foi absoluto — venceu com autoridade e registrou o tempo total de 25min09s713. Na divisão bLu cRu, o destaque foi Victor Hugo Vale da Rocha: terminou em segundo no geral e saiu de Palmas na liderança isolada do certame nacional. Miguel Kurtz Boer pilotou de forma limpa e consistente no seco circuito tocantinense para fechar o pódio em terceiro.
Classificação:
1º Lorenzo Ricken;
2º Victor Hugo Vale da Rocha;
3º Miguel Kurtz Boer.

MXF
Luanna Neves abriu o domingo da classe feminina do jeito que gosta: na frente e sem dar chance de aproximação. A piloto se adaptou perfeitamente às condições da pista, manteve folga confortável sobre as perseguidoras e ampliou sua margem na liderança do campeonato. Alícia Sagae foi regular e consistente no segundo lugar, enquanto Izabela Bindela superou o desgaste do calor para garantir a terceira posição no pódio de Palmas.
Classificação:
1º Luanna Neves;
2º Alícia Sagae;
3º Izabela Bindela.

65cc
A menor margem de todo o fim de semana ficou na categoria 65cc — e ela foi minúscula. Arthur Lourenzo Barbosa Rosa e Henrique Spinassé travaram uma batalha de oito voltas sem trégua, e no final Arthur levou por apenas 1,807 segundo. A volta mais rápida também foi dele: 2min11s992. Ben Sagae correu com regularidade e sem erros para fechar o pódio em terceiro, enquanto a torcida presente no Parque Sussuapara acompanhou tudo em pé.
Classificação:
1º Arthur Lourenzo Barbosa Rosa;
2º Henrique Spinassé;
3º Ben Sagae.

50cc
Os menores do fim de semana não ficaram devendo nada. Na 50cc, a pista com suas canaletas de areia fina exigiu leitura técnica mesmo dos mais jovens — e Tomas Aguila mostrou que tem isso de sobra. Liderou as sete voltas da bateria com consistência para conquistar a vitória geral. Enzo Wiebbelling ficou em segundo, mas roubou a cena ao registrar a melhor volta de toda a corrida: 2min30s370 impressionantes. João Manoel Prado fechou o pódio após disputas físicas acirradas que não destoaram nada do que aconteceu nas categorias mais velhas.
Classificação:
1º Tomas Aguila;
2º Enzo Wiebbelling;
3º João Manoel Prado.